Como apontar a antena parabólica para o Star One D2 (70°W): o guia de 2026
Apontar uma parabólica para o Star One D2, a 70°W, deixou de ser ofício de instalador com satfinder de R$ 400. Com o aplicativo certo no celular, uma chave de boca 13 e quarenta minutos de paciência, qualquer pessoa trava a antena com qualidade acima de 70% na banda Ku e acima de 60% na banda C.
O segredo não é força nem olho bom: é chegar ao telhado já sabendo os três números da sua cidade — azimute, elevação e skew — e seguir uma ordem de ajuste que não desfaz o que já foi feito. Este guia é essa ordem, passo a passo.
Antes de subir: o kit e os números
O kit mínimo cabe numa mochila: chave de boca 13 para os parafusos de azimute e elevação, chave 10 para o suporte do LNB, uma bússola (a do celular serve, desde que calibrada longe de estruturas metálicas), o cabo RG6 já conectorizado e o receptor ligado a um monitor perto da antena — ou uma segunda pessoa na sala gritando os números de qualidade.
Aplicativos como o DishPointer e o SatFinder usam a câmera do celular para mostrar, em realidade aumentada, onde o satélite está no céu. Em 2026 eles já compensam sozinhos a declinação magnética, que no Sudeste brasileiro chega a 21 graus para oeste — diferença que, ignorada, erra a antena em mais de dez satélites de distância.
Azimute, elevação e skew para o 70°W
Azimute é a direção na bússola, elevação é a inclinação da antena em relação ao horizonte e skew é a rotação do LNB no próprio eixo. Para o Star One D2, os valores de referência das principais capitais são estes:
| Cidade | Azimute verdadeiro | Elevação |
|---|---|---|
| São Paulo | 313° | 52° |
| Rio de Janeiro | 308° | 50° |
| Belo Horizonte | 305° | 52° |
| Brasília | 304° | 59° |
| Curitiba | 319° | 52° |
| Porto Alegre | 326° | 49° |
| Salvador | 290° | 51° |
| Recife | 281° | 48° |
| Belém | 274° | 65° |
| Manaus | 287° | 78° |
Quanto mais a oeste e mais ao norte, mais alta a antena aponta: em Manaus ela mira quase a pino, com 78 graus de elevação; no Nordeste ela deita na direção do oceano, abaixo dos 50 graus. O skew inicial da banda C no Sudeste fica em torno de 45 graus, e o ajuste fino vem depois, pelo receptor.

O procedimento no telhado
Primeiro o mastro: ele precisa estar aprumado no prumo ou no nível de bolha, porque qualquer desvio de um grau no mastro vira três graus de erro lá em cima. Depois, pré-ajuste a elevação na escala gravada no suporte da antena e o skew aproximado do LNB, deixando os parafusos apenas encostados, nunca apertados.
- Com azimute e elevação pré-ajustados, gire a antena devagar, varrendo dez graus para cada lado do azimute de referência.
- Ao primeiro pico de qualidade no receptor, pare e aperte o azimute até o sinal começar a cair; volte ao ponto máximo e trave.
- Ajuste a elevação da mesma forma: sobe até cair, desce até cair, trava no meio.
- Por último, gire o LNB no suporte, dois graus por vez, até a qualidade atingir o máximo — em geral dois a quatro pontos acima do skew calculado.
Ajuste fino pelo TP de referência
O ajuste fino se faz num transponder forte e estável, não num canal fraco. Na banda C, os TPs das redes nacionais abertas no Star One D2 trabalham na faixa de 3,6 a 4,2 GHz, com o oscilador local do LNB em 5.150 MHz; na banda Ku universal, o receptor chaveia sozinho entre 9.750 e 10.600 MHz conforme a frequência do TP. A lista atualizada de TPs de referência para apontamento está no guia de TPs do Clube AzBrasil, na seção Tutoriais.
Meta de bancada: qualidade acima de 70% na banda Ku e 60% na banda C com céu limpo. Abaixo disso, a primeira chuva forte derruba a imagem — e o próximo artigo da série trata justamente do diagnóstico de sinal fraco.
Duas observações separam o apontamento de banda C do de banda Ku. Na banda C, a antena de 1,50 m ou maior é pesada e o mastro precisa de base firme em concreto; na banda Ku, a antena de 60 a 90 cm é leve, mas exige precisão maior, porque cada grau de erro vale mais sinal. Muita gente em 2026 instala as duas no mesmo ponto: a banda C para a grade aberta completa e a Ku apontada para outro satélite, com chave DiSEqC no receptor.
Segurança não é apêndice: trabalhe com escada apoiada em terço da altura, cinto de segurança preso a estrutura fixa e nunca sob fio de energia ou com chuva anunciada. O apontamento de uma antena leva quarenta minutos; um acidente no telhado não tem ajuste fino.
Erros que custam a tarde inteira
O erro mais caro é apertar tudo cedo demais: com o azimute travado, qualquer correção de elevação vira gambiarra. O segundo é confiar na bússola do celular encostada no mastro de ferro — o metal desvia a leitura em até 15 graus. Meça a dois metros do mastro ou use o modo de câmera do aplicativo.
Por fim, documente. Anote os três números finais na base do mastro com caneta permanente: se um temporal desalinhar a antena em janeiro, o reapontamento leva cinco minutos em vez de uma tarde. Instaladores experientes fotografam ainda a posição dos parafusos e o ponteiro da escala de elevação: a foto no celular é o backup que não enferruja, não desbota no sol e viaja com você para qualquer telhado.